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Igrejas Históricas
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Igrejas Protestantes Históricas

As denominações que resultaram da Reforma Protestante desencadeada pelo monge alemão Martinho Lutero (1483-1546), são chamadas históricas.

Quem foi Lutero
Lutero era um sacerdote católico e professor de teologia na Universidade de Wittenberg, na Alemanha. Além de extraordinário orador, seus biógrafos também o apresentam como um homem profundamente angustiado com as questões espirituais e, sobretudo, com as práticas religiosas de seu tempo. Sua grande cruzada foi contra a venda de indulgências, ou seja, a troca do perdão dos pecados por doações à igreja, bastante comum no século XVI. Por conta disso, redigiu 95 teses moralizantes que deveriam ser debatidas pelos acadêmicos. Esse pergaminho, afixado na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg, seria o estopim de uma discussão teológica e doutrinária sem precedentes dentro da Igreja Católica e que culminaria na Reforma Protestante. Para muitos, foi uma libertação. Goethe, o maior escritor alemão de todos os tempos, disse: "Ficamos livres dos grilhões da estreiteza espiritual (...) compreendemos o cristianismo em sua pureza".

Os princípios que unem
Os princípios propostos por Lutero formam a base sobre a qual foram assentadas todas as denominações protestantes históricas, pentecostais e, mesmo, neopentecostais, ainda hoje e apesar das diferenças doutrinárias que existem entre elas. Apontamos os princípios comuns a maioria das igrejas:

Existe um Deus só e três pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo.
Os homens devem se guiar apenas pela Palavra de Deus, e exclusivamente como ela está revelada na Bíblia.
Os homens são pecadores e boas obras não nos libertam dessa condição (indulgências, como era o caso na época de Lutero, menos ainda). Deus mandou seu Filho, Jesus, expiar os nossos pecados morrendo na cruz. É, portanto, o amor de Deus que nos salva. A fé é a forma de aceitar a salvação de Deus.
A vida é um dom de Deus. Um cristão deve ser sempre grato e alegre por isso. Viver da maneira correta, buscando fazer o melhor possível, é colaborar com Deus. A missão do verdadeiro cristão é construir, a cada dia, sua própria santidade.

Imigrantes e missionários
As primeiras denominações protestantes chegaram ao Brasil no século XIX, na bagagem espiritual dos imigrantes e, por isso, ficaram, por um bom tempo, atadas a essas comunidades de origem. Nada a ver, portanto, nem com o ímpeto evangelizador dos missionários presbiterianos e metodistas, a partir da segunda metade do século XIX e, muito menos, com o fenômeno de comunicação de massas das igrejas pentecostais e neopentecostais que ocorre hoje.

A Igreja Luterana foi trazida para o Brasil pelos imigrantes alemães, no século XIX. A igreja luterana mais antiga fica em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Em 1991, havia 1 milhão de luteranos no Brasil, concentrados principalmente no sul do país.

A Igreja Anglicana ou Episcopal nasceu de uma briga entre o rei da Inglaterra Henrique VIII e o papa Clemente VII, no século XVI. O papa se recusou a permitir que o rei se divorciasse da sua primeira esposa, Catarina de Aragão, para casar-se com Ana Bolena (de quem, aliás, descende a atual rainha da Inglaterra, Elizabeth I). Henrique VIII, que já não demonstrava grande simpatia pela situação de submissão dos reis à autoridade do papa, aproveitou a oportunidade para romper com o papa e criar a Igreja da Inglaterra.

Pouco a pouco, as igrejas anglicanas foram adotando os princípios da Reforma, mas mantiveram-se sempre mais próximas ao catolicismo do que a outras denominações protestantes. Assim como os luteranos, foram os imigrantes norte-americanos, que se fixaram no sul, os responsáveis pela introdução do anglicanismo no Brasil.

A Igreja Presbiteriana foi fundada por um suíço de nome João Calvino, contemporâneo a Lutero, no século XVI. O termo presbítero vem do grego e quer dizer ancião. Ao contrário das igrejas congregacionais, onde o poder está na comunidade ou congregação, a Igreja Presbiteriana se organiza em níveis hierárquicos. No topo dessa hierarquia está a assembléia de presbíteros, encarregados das decisões mais importantes.

A Igreja Presbiteriana foi trazida por missionários americanos, que se estabeleceram no Rio de Janeiro com uma missão: evangelizar por meio da educação. A primeira igreja foi fundada em 1871. Mas até hoje essa vocação para os projetos na área de educação se mantém: a tradicional universidade Mackenzie, de São Paulo, por exemplo, é administrada por eles. Na década de 70, surgiram algumas denominações presbiterianas renovadas, isto é, inspiradas nos movimentos de reavivamento americanos que também originaram as igrejas pentecostais e neopentecostais.

A Igreja Metodista nasceu no século XVIII, fruto dos sonhos do pastor anglicano John Wesley, que acabou rompendo com a Igreja da Inglaterra. Os metodistas foram o primeiro grupo de missionários a chegar ao Brasil. Sua primeira igreja foi fundada em 1876 no Rio de Janeiro. Hoje, existem 138.000 fiéis, concentrados na Região Sudeste, segundo o Censo de 1991.

Não é a doutrina que distingue os metodistas das demais denominações. É a ênfase na santificação: os homens não são perfeitos, mas podem melhorar sempre. Na prática, isso os torna puritanos, quer dizer, despojados dos prazeres mundanos e disciplinados, daí seu nome, derivado de "metódicos".

A Igreja Batista nasceu de uma ala radical da Reforma, que não aceitava o batismo como um direito adquirido ao nascer e pregava a necessidade de uma decisão pessoal, tomada, portanto, na idade adulta. O batismo seria o momento em que o crente, iluminado pela fé, recebe as graças do Espírito Santo e inicia uma nova vida, centrada em Jesus Cristo. É nessa fonte que as igrejas pentecostais vão beber.

As primeiras comunidades batistas nasceram na Holanda, graças a um outro pastor anglicano, chamado John Smyth (1570-1612). Difundiram-se pelos Estados Unidos e marcaram com seus cultos e cantos à cultura americana. Depois da Guerra Civil, missionários batistas vieram para o Brasil e fundaram, em Salvador, a primeira igreja batista brasileira. Os batistas eram 1,5 milhões em 1991, segundo o Censo.

Igrejas pentecostais
O termo pentecostal refere-se ao relato bíblico do momento em que o Espírito Santo desce sobre os apóstolos sob a forma de línguas de fogo, fazendo-os falar línguas estranhas (veja Atos dos Apóstolos 2:1-37) e animando-os a enfrentar sua árdua tarefa evangelizadora. Segundo o Dicionário de Espiritualidade de Fiores e Goffi, é através do Espírito Santo que se manifestam as graças de Deus. Essa manifestação não é teórica, é viva. Presente. E as graças, ou os carismas, são inúmeras. O dom de falar línguas estranhas ou glossolalia, característico do fervor pentecostal, é apenas uma delas.

O fogo do Espírito Santo
Explica-se que as igrejas pentecostais nasceram de um movimento de "reavivamento" nas igrejas cristãs, que ocorreu nos Estados Unidos, no início do século XX. Um pastor, chamado John Seymor, provocou tal onda de fervor religioso onde os fiéis começaram a falar em línguas estranhas. Isso seria uma evidência da presença do Espírito Santo e da possibilidade de recriar um Pentecostes. Embora o objetivo de Seymor não fosse fundar uma nova igreja, mas resgatar o fervor religioso e o entusiasmo que eram a marca das primeiras comunidades cristãs, o movimento se espalhou rapidamente.

Todo o foco da ação religiosa está na cura divina do "corpo escravizado, adoecido e angustiado pelos demônios". O culto praticamente não tem rituais. Os fiéis oram para invocar o Espírito Santo. Essa oração da "assembléia" é responsável pelos momentos de grande emotividade e intenso misticismo, que marcam esses cultos.

Fervor brasileiro
As igrejas pentecostais se difundiram com uma rapidez espantosa. Em 1910, foi fundada a Congregação Cristã do Brasil, em São Paulo, por um ítalo-americano chamado Luigi Francescon. Em 1911, missionários suecos criaram em Belém, no Pará, a Assembléia de Deus. Por volta de 1950, surgiram as primeiras igrejas pentecostais fundadas por brasileiros, como a Deus é Amor, criada por David Miranda, em São Paulo. Em todas (veja as principais abaixo), a ênfase está no poder de cura do batismo pelo Espírito Santo.

Congregação Cristã no Brasil (1910)
Assembléia de Deus (1911)
Igreja Pentecostal Brasil para Cristo (1956)
Deus é Amor (1961)
Evangelho Quadrangular (1953)

Igrejas neopentecostais
As igrejas neopentecostais começam a surgir no Brasil no início dos anos 80, fundadas por líderes carismáticos ou empresários religiosos, a partir de influências norte-americanas. Atraem um colosso de adeptos e são as que mais crescem hoje.

A característica mais marcante dessas denominações é uma forte centralização de poder nas mãos do líder, que manipula os fiéis como se estivesse num auditório e uma espécie de bricolage de práticas das várias tradições. Em algumas denominações neopentecostais, existe uma ênfase na Teologia da Prosperidade e esse é seu aspecto mais controvertido.

Além disso, as neopentecostais em geral são menos exigentes em termos éticos que as igrejas protestantes tradicionais e seus cultos são mais emocionais, com uma forte ênfase nas práticas de exorcismo e de cura.

Nesse último grupo estão a Igreja Universal do Reino de Deus, fundada por Edir Macedo, em 1977, que é a mais popular e a que mais cresce. A Casa da Bênção, Cristo Vive, Igreja Internacional da Graça de Deus, Comunidade Sara Nossa Terra e Igreja Renascer em Cristo são outras que seguem a mesma linha.

Por: Adília Belotti

 

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